domingo, 1 de agosto de 2010

POEMA DE AMOR




SUAVE AMOR


É tão suave a tua mão na minha face

Já não me sinto tão sozinho

Na praia triste do meu ser

Oh, meu amor...


É tão suave a minha espera

Pois sei que não me deixará!

Não! Nunca mais...


O rio vai ao mar

Como eu vou te encontrar

Vivendo esse suave amor

Esse tão grande amor...

Esse imenso..

Esse suave amor.


Olívio Cerqueira (outono de 2001)


FLOR DO IPÊ




Flor do ipê que cai dolente
Na terra ocre do gerais
Parece um tapete rosa
Onde eu choro os meus ais.

Quando eu passar não
Não jogues flores pelo chão
Cada flor que o vento leva
Faz doer meu coração
Ai...faz doer meu coração.

Existem flores mais formosas
A do ipê eu amo mais
Pois faz lembrar da minha terra
Nas tardes frias outonais.

O ipê roxo é paixão.
O amarelo a alegria
O rosa é a poesia
Que mora no meu coração

Quando eu passar não
Não jogues flores pelo chão
Cada flor que o vento leva
Faz doer meu coração
Ai...faz doer meu coração.

Olívio Cerqueira

outono de 2010

PEQUIZEIRO



PEQUIZEIRO EM FLOR

Passo preto na gaiola
Fez um buraquim vuô,
assentou num pequizeiro
Cobertinho de fulô

O meu amor fez como o passarinho
Partiu voando sem dizer adeus
Me fez chorar, me fez cantar de dor...

Vivo agora nesse mundo triste
A chorar a perda desse amor
Os meus olhos já não podem ver
Um pequizeiro em flor.

Olívio Cerqueira

Inverno de 2002


Suave amor


É tão suave a tua mão na minha face

Já não me sinto tão sozinho

Na praia triste do meu ser

Oh, meu amor...


É tão suave a minha espera

Pois sei que não me deixará!

Não! Nunca mais...


O rio vai ao mar

Como eu vou te encontrar

Vivendo esse suave amor

Esse tão grande amor...

Esse imenso..

Esse suave amor.


Olívio Cerqueira (outono de 2001)


sábado, 31 de julho de 2010

AFRICANOS

NÃO SEI QUEM SOU





Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
Fernando Pessoa

domingo, 11 de julho de 2010

REZA MARIA




Reza, Maria

Suam no trabalho as curvadas bestas
E não são bestas
São homens, Maria!

Corre-se a pontapés os cães na fome dos ossos
E não são cães
São seres humanos, Maria!

Feras matam velhos, mulheres e crianças
E não são feras, são homens
E os velhos, as mulheres e as crianças
São os nossos pais
Nossas irmãs e nossos filhos, Maria!

Crias morrem à míngua de pão
Vermes na rua estendem a mão à caridade
E nem crias, nem vermes são
Mas aleijados meninos sem casas, Maria!

Do ódio e da guerra dos homens
Das mães e das filhas violadas
Das crianças mortas de anemia
E de todos os que apodrecem nos calabouços
Cresce no mundo o girassol da esperança

Ah! Maria,
Põe as mãos e reza
Pelos homens todos
E negros de toda a parte
Põe as mãos
E reza, Maria!


José Craveirinha

sábado, 10 de julho de 2010